15 de maio de 2008
É inevitável termos de descobrir uma forma de consumismo e de escolha mas responsável e madura e gerar um novo modelo, mas sutil, de oferta e procura. O design, que atualmente funciona como uma forma alargada de publicidade ou como resposta a um simples problema de procura de mercado, terá também de amadurecer.
As pessoas passaram décadas enchendo suas casas com objetos, hoje elas não estão satisfeitas com o meio em que vivem. O mundo deve ser encarado como um objeto em si mesmo, e deve ser cuidado.
O design enquanto profissão deve tornar-se adulto, contruibindo para que consumidores de todo o mundo dêem estímulo a estas novas aspirações (em contraposto às individuais)
Compilado do livro Os Significados do Design Moderno - A Caminho do Século XXI - Peter Dormer
Valdecir Xavier
6 de maio de 2008
BIOMIMÉTICA: COMO A NATUREZA INSPIRA O DESIGN MODERNO

Uma lição de projeto eficiente. O baixo coeficiente de arrasto ajuda o peixe-cofre a ter velocidade equivalente a seis vezes o comprimento de seu corpo por segundo, usando como estabilizadores as bordas em forma de quilha da carapaça. O peixe-cofre serviu de inspiração para o Bionic Car da Mercedes Benz. O fluxo de vapores do teste num túnel de vento em Stuttgart comprova a excelente aerodinâmica do veículo que ajuda a melhorar seu consumo para 30 quilômetro por litro de combustível.
*É um resumo da matéria publicada na revista National Geographic no mês passado, mas quem quiser ler na íntegra( vale a pena viu ;) é só entrar no site National Geographic - Design da Natureza
O que tem nadadeiras como as da baleia, pele parecida com a do lagarto e olhos similares aos da mariposa?
O futuro da engenharia.
"Cada espécie, mesmo aquelas extintas, é uma história de sucesso, otimizada por milhões de anos de seleção natural. Por que não aprender com o que foi lentamente aperfeiçoado pela evolução?" Andrew Parker (biólogo evolucionista)
"A biomimética nos proporciona um conjunto diverso de ferramentas e idéias, às quais normalmente não teríamos acesso."
Michael Rubner ( cientista de materiais)
"A gente não precisa reproduzir a pele de um lagarto para fazer um coletor de água; ou o olho de uma mariposa para confeccionar um revestimento anti-reflexivo, mas as estruturas naturais nos fornecem uma pista para o que há de útil em um mecanismo. E talvez a gente possa até mesmo aperfeiçoar tais aspectos."
Robert Cohen (engenheiro químico)
Biomimética ou Tecnologia Biônica é uma disciplina que busca em estruturas naturais soluções para problemas na engenharia, na ciência dos materiais, na medicina e em outros campos.
Nesta matéria, a revista foca nos trabalhos realizados pelo biólogo evolucionista Andrew Parker, pesquisador vinculado ao Museu de História Natural de Londres e à Universidade de Sydney. Entre os trabalhos do Parker podemos destacar pesquisas que desembocaram em telas mais luminosas para telefone celular através da investigação da iridescência da borboleta e do besouro, assim como o revestimento anti-reflexivo dos olhos da mariposa.
Parker busca ficar inspirado até mesmo em uma natureza que já não existe mais: por exemplo, no olho de uma mosca que, há 45 milhões de anos, ficou preservada em âmbar, ele notou microscópicos enrugamentos que reduziam a reflexão da luz e esse mesmo tipo de estrutura agora passa a ser usado em painéis solares.
O trabalho de Parker é uma pequena parte do movimento cada mais vigoroso e global da biomimética. Abaixo segue uma lista de exemplos da pesquisa sobre a tecnologia biônica desenvolvidos em alguns países.
- EUA e Inglaterra: investiga as protuberâncias nas bordas de ataque dos lóbulos da cauda da baleia-jubarte a fim de construir asas mais eficientes para avião.
- Alemanha: estuda as penas primárias, similares a dedos, das aves de rapina com intuito de projetar asas cuja forma se altera durante o vôo, reduzindo assim o arrasto e aumentando o rendimento de combustível.
-Zimbábue: arquitetos estudam de que modo os cupins controlam a temperatura, a umidade e o fluxo de ar em sua toca, na expectativa de projetarem edifícios mais confortáveis.
O trabalho de Parker é uma pequena parte do movimento cada mais vigoroso e global da biomimética. Em Bath, na Inglaterra, e em West Chester, nos Estados Unidos, engenheiros estão investigando as protuberâncias nas bordas de ataque dos lóbulos da cauda da baleia-jubarte a fim de construir asas mais eficientes para avião. Em Berlim, na Alemanha, as penas primárias, similares a dedos, das aves de rapina levaram os engenheiros a projetar asas cuja forma se altera durante o vôo, reduzindo assim o arrasto e aumentando o rendimento de combustível.
No Zimbábue, arquitetos estudam de que modo os cupins controlam a temperatura, a umidade e o fluxo de ar em sua toca, na expectativa de projetarem edifícios mais confortáveis. No Japão, pesquisadores médicos conseguiram reduzir o incômodo das injeções com o uso de agulhas hipodérmicas com a ponta dotada de minúsculo serrilhado, semelhante ao da probóscide de um mosquito, que reduz a estimulação dos nervos. "A biomimética nos proporciona um conjunto diverso de ferramentas e idéias, às quais normalmente não teríamos acesso", comenta o cientista de materiais Michael Rubner. "Agora ela faz parte de nossa cultura de grupo."
Logo depois de nossa incursão no deserto australiano, voltei a me encontrar com Andrew Parker em Londres, dessa vez para acompanhar a etapa seguinte de sua pesquisa sobre o diabo-espinhoso. Desde a entrada do Museu de História Natural até o laboratório do cientista no sexto andar, atravessamos salões imensos, todos repletos de assombrosa variedade de organismos preservados. Em uma das salas, há enormes recipientes, que chegam à nossa cintura e onde se podem ver, mergulhados em álcool, semblantes de lontras-do-mar, sucuris, equidnas-ouriços e cangurus, para não falar em um recipiente de 20 metros que contém uma lula gigante. Aos olhos de Parker, essa não é simples coleção de espécimes, e sim "um reservatório de projetos geniais". Cada espécie, mesmo aquelas extintas, é uma história de sucesso, otimizada por milhões de anos de seleção natural. Por que não aprender com o que foi lentamente aperfeiçoado pela evolução?
Enquanto andamos, Parker explica que o brilho metálico e as cores deslumbrantes das aves e dos besouros tropicais não se devem a pigmentos, mas a características ópticas: microestruturas rigorosamente espacejadas que refletem comprimentos específicos de ondas luminosas. Essa cor estrutural, que não se atenua e é mais brilhante que qualquer pigmento, apresenta enorme interesse para os fabricantes de tinta e cosmético, assim como para os produtores dos pequenos hologramas estampados em cartão de crédito. O bico do tucano é um exemplo de estrutura leve e resistente (ele permite que a ave quebre nozes e ao mesmo tempo é leve o bastante para não lhe prejudicar o vôo), ao passo que os espinhos do ouriço-cacheiro e do porco-espinho são maravilhosamente resistentes e simples. A seda segregada pela aranha é cinco vezes mais forte, grama por grama, e bem mais flexível que alguns aços especiais.
No caso dos insetos, a abundância de características estruturais interessantes é assombrosa. O vaga-lume produz luz fria quase sem perda de energia (uma lâmpada incandescente normal dissipa, sob a forma de calor, nada menos que 98% da energia que consome), e o besouro-bombardeiro possui, em sua parte posterior, uma eficiente câmara de combustão que lança substâncias químicas escaldantes em eventuais predadores.
O besouro Melanophila, que costuma pôr seus ovos em madeira recém-queimada, é capaz de identificar a exata radiação infra-vermelha emitida por um incêndio florestal, permitindo-lhe localizar queimadas distantes a até uma centena de quilômetros. Essa característica estrutural vem sendo estudada pela Força Aérea dos Estados Unidos. "Eu poderia dar uma olhada em volta e, em meia hora, selecionar 50 projetos na área de biomimética", comenta Parker. "Procuro não passar por aqui no fim da tarde, pois acabo me entusiasmando e, quando vejo, já é meia-noite."
Há oito anos, em um desses surtos de criatividade que avançam noite adentro, Parker decidiu investigar o mecanismo de coleta de água de um besouro do deserto e, para tanto, construiu uma enorme duna de areia em seu laboratório. Da família dos tenebrionídeos, esse besouro é encontrado no deserto da Namíbia, na região sudoeste da África, um dos ambientes mais quentes e secos do planeta. O besouro recolhe a água da névoa matinal permanecendo de frente para o vento e, erguendo sua parte traseira, onde há protuberâncias hidrofílicas que capturam a névoa, faz com que ela se transforme em gotículas dágua, as quais em seguida escorrem por microcalhas enceradas e hidrofóbicas entre as protuberâncias e somente depois cheguem à boca do inseto.
Parker mandou trazer da Namíbia dezenas de besouros. Usando um secador de cabelo e vários nebulizadores e borrifadores, ele conseguiu reproduzir as condições no deserto da Namíbia com fidelidade suficiente para entender o mecanismo do besouro. Em seguida, voltou a reproduzi-lo em uma lâmina de microscópio usando pequenas contas de vidro no lugar das protuberâncias e modelando as calhas com cera. A despeito de todo o requinte das estruturas naturais, muitas delas são feitas de materiais corriqueiros, como queratina, carbonato de cálcio e sílica, associados de tal modo que apresentam extraordinária complexidade, força e resistência. O abalone, por exemplo, produz sua concha com carbonato de cálcio, o mesmo material do giz farelento. No entanto, ao organizá-lo em camadas de tijolos nanométricos dispostos de maneira alternada graças a um jogo sutil de proteínas, o molusco cria uma armadura tão resistente como se fosse de kevlar e 3 mil vezes mais rígido que o giz. O entendimento, em escala microscópica e nanométrica, das estruturas responsáveis pelas propriedades excepcionais de um material vivo é um passo essencial a sua recriação em laboratório. Por isso, é importante a Andrew Parker examinar agora a pele de um diabo-espinhoso preservado no museu com a ajuda de um microscópio eletrônico de varredura, na expectativa de vislumbrar as estruturas ocultas que permitem ao animal absorver e canalizar a água com tanta eficiência.
Parker nota uma série de nódulos enfileirados que parece descer até uma estrutura maior que serve de reservatório dágua. Por fim, mergulhamos em uma fissura na base do espinho e topamos com um campo alveolado e repleto de dentes, cada qual medindo 25 mícrons. "A-há!", exclama Parker, como Sherlock Holmes ao topar com uma pista. "Esta é obviamente uma superfície super-hidrofóbica, que canaliza a água entre as escamas." Um exame subseqüente da pele do diabo-espinhoso com a ajuda de um aparelho de tomografia confirma essa hipótese, revelando minúsculos capilares entre escamas que evidentemente servem para conduzir a água até a boca do lagarto. "Creio que descobrimos o segredo do diabo-espinhoso", comenta ele. "Agora podemos construir um protótipo."
Aqui entram em cena os engenheiros. Na etapa seguinte de criação de um dispositivo de coleta de água inspirado no lagarto, Parker encaminha suas observações e resultados experimentais para Michael Rubner e seu colega Robert Cohen, um engenheiro químico com quem já trabalhou em vários projetos de biomimética.
A conjunção das percepções biológicas e do pragmatismo da engenharia é essencial ao êxito da biomimética. No caso de Parker, Cohen e Rubner, a colaboração resultou em várias aplicações promissoras influenciadas no besouro da Namíbia e em outros insetos. E esperam que logo seja possível criar uma superfície sintética inspirada na pele do diabo-espinhoso.
Ainda que impressionados com as estruturas biológicas, Cohen e Rubner consideram a natureza apenas ponto de partida para a inovação. "A gente não precisa reproduzir a pele de um lagarto para fazer um coletor de água; ou o olho de uma mariposa para confeccionar um revestimento anti-reflexivo", diz Cohen. "Mas as estruturas naturais nos fornecem uma pista para o que há de útil em um mecanismo. E talvez a gente possa até mesmo aperfeiçoar tais aspectos." As lições extraídas do diabo-espinhoso podem melhorar a tecnologia de coleta de água que eles desenvolveram com base na microestrutura do besouro da Namíbia, e que estão empenhados em transformar em dispositivo de coleta de água, tinta à prova de grafite e superfície autodescontaminante para cozinha e hospital. Nada impede, porém, que o trabalho os leve a direções novas. Nos últimos tempos, eles só consideram um projeto de biomimética bem-sucedido quando há a possibilidade de ser aproveitado pelas pessoas. "Não basta descobrir estruturas maravilhosas na natureza", diz Cohen. "O que me interessa é como podemos transformar tais estruturas em algo útil no mundo real."
Claro que aí está todo o problema. Um dos reaproveitamentos mais promissores de projetos naturais é um robô inspirado em organismos vivos que possa ser usado em locais em que os seres humanos costumam ficar ou muito expostos, ou muito entediados, ou correr riscos em demasia. É imensa e evidente, contudo, a dificuldade de se construir um robô desse tipo. Ronald Fearing, professor de engenharia elétrica na Universidade da Califórnia, em Berkeley, decidiu enfrentar um dos maiores desafios nessa área: criar uma mosca robótica que seja rápida, miniaturizada e suficientemente manobrável para ser usada em tarefas de vigilância e operações de busca e salvamento.
Se uma mosca-varejeira tivesse voado para dentro do escritório de Fearing quando nos encontramos pela primeira vez, em uma quente tarde de março, com as janelas abertas para o verdejante campus de Berkeley, eu a teria enxotado ou esmagado sem hesitar ou pensar. Porém, no instante em que Fearing acabou de me explicar por que havia escolhido esse tipo de mosca como modelo de sua microaeronave, eu, de tão impressionado, já estava de queixo caído. Batendo as asas 150 vezes por segundo, ela paira, sobe e desce com assombrosa agilidade. Quando voa em linha reta, consegue fazer uma curva de 90 graus em menos de 50 milissegundos manobra que transformaria em ferro-velho até mesmo os nossos aviões militares mais avançados.
A chave para fazer funcionar esse inseto voador micromecânico (ou micromechanical flying insect MFI), segundo Fearing, não está no esforço de reproduzir a mosca, e sim na identificação das estruturas essenciais para sua capacidade de vôo e também no reconhecimento de maneiras mais simples e talvez melhores para a realização de operações extremamente complexas. "A asa da mosca é movida por 20 músculos, alguns dos quais só entram em ação a cada quinta batida de asa. Não há como não ficarmos admirados. Afinal, o que está ocorrendo ali?", comenta Fearing. "Algumas coisas são simplesmente misteriosas e complicadas demais para serem copiadas."
Depois que o neurobiólogo Michael Dickinson fez com que asas de plástico medindo 30 centímetros se movessem em meio a 2 toneladas de óleo mineral para demonstrar como uma batida em forma de U das asas mantinha a mosca no ar, Fearing conseguiu reduzir a complexidade da junta da asa a um dispositivo possível de ser fabricado. E o que ele produziu assemelha-se a um minúsculo diferencial automobilístico; embora desprovido da poesia dos 20 músculos da mosca, o dispositivo consegue realizar as batidas em forma de U na velocidade requerida. Para mover a asa, contudo, são necessários atuadores piezoelétricos que, em altas freqüências, podem gerar ainda mais força que os músculos da mosca. No entanto, quando solicitou aos técnicos que construíssem um atuador de apenas 10 miligramas, tudo o que obteve foram olhares de incredulidade.
Por isso, o próprio Fearing teve de botar a mão na massa e, com a ajuda de uma pinça, me mostra o resultado: uma diáfana varinha medindo cerca de 11 milímetros e com a mesma espessura do bigode de gato. Muitos dos outros minúsculos componentes de sua mosca também tiveram de ser fabricados por Fearing da mesma maneira, ou seja, usando um microtorno a laser e um sistema de construção de protótipo que lhe permitem projetar em um computador as peças infinitesimais, cortá-las automaticamente, prepará-las durante a noite e montá-las manualmente no dia seguinte com a ajuda de um microscópio.
Com o microlaser, ele recorta as asas do MFI de uma placa de poliéster de 2 mícrons, tão delicada que amassa com o menor sopro e por isso tem de ser reforçada com longarinas de fibra de carbono. As asas de seu modelo mais recente batem 275 vezes por segundo mais rápidas que aquelas do inseto de verdade , emitindo o zumbido característico da varejeira. "A fibra de carbono tem desempenho melhor que a quitina das moscas", comenta ele, com evidente satisfação. Em seguida, aponta para uma caixa plástica protetora na bancada do laboratório que contém a própria mosca-robô, uma delicada estrutura, semelhante a um origami, com tirantes de fibra de carbono e fios finíssimos uma traquitana que não se parece em nada com uma mosca de verdade. Ela consegue se erguer no ar, mas em vôo cativo. Fearing espera que o robô se eleve sozinho daqui a dois ou três anos, e depois reproduza no espaço todo o virtuosismo das moscas.
Quem quiser ver um robô biomimético já em pleno funcionamento ainda que em etapa inicial , basta atravessar a baía e ir a Palo Alto. Desde o século 4 a.C., quando o filósofo grego Aristóteles se maravilhou com uma lagartixa, "capaz de subir e descer pelo tronco de uma árvore em qualquer posição, mesmo de cabeça para baixo", as pessoas perguntam de que modo esses pequenos lagartos conseguem se locomover assim, ao arrepio da força de gravidade. Dois anos atrás, o especialista em robótica Mark Cutkosky decidiu solucionar esse enigma milenar construindo o robô Stickybot ("robô aderente"), inspirado na lagartixa e capaz de subir por superfícies inclinadas. Na verdade, as patas da lagartixa não são grudentas e parecem secas e macias quando as tocamos. Elas devem sua capacidade adesiva a filamentos com extremidades achatadas cerca de 2 bilhões deles por centímetro quadrado na parte inferior dos dedos. Cada filamento tem espessura de apenas algumas centenas de nanômetros. E são de tal modo pequenos que interagem em escala molecular com a superfície na qual se move a lagartixa, aproveitando as forças Van der Waals de baixa intensidade, geradas por efêmeras cargas elétricas positivas e negativas que provocam efeitos de atração e repulsão entre dois objetos adjacentes.
Para servir de coxim filamentoso nas "patas" do Stickybot, Cutkosky e o estudante de pós-graduação Sangbae Kim, o principal projetista do robô, confeccionaram um tecido de uretano com minúsculos pêlos com ponta de 30 micrômetros. Embora não sejam tão flexíveis ou aderentes quanto os filamentos da lagartixa, eles conseguem sustentar o robô, que pesa meio quilo, em uma superfície vertical. Mas a aderência, como descobriu Cutkosky, é apenas uma das habilidades da lagartixa. Para se mover com rapidez elas conseguem se deslocar em uma superfície vertical à velocidade de 1 metro por segundo , suas patas também necessitam se soltar da superfície sem nenhum esforço e de imediato.
A fim de descobrir como o lagarto faz isso, Cutkosky pediu ajuda aos biólogos Bob Full, especialista em locomoção animal, e Kellar Autumn, provavelmente o cientista que mais entende da capacidade de aderência das lagartixas em todo o mundo. Full e Autumn descobriram que a aderência das lagartixas é direcional: os dedos tornam-se adesivos somente quando puxados para baixo, soltando-se da superfície assim que se inverte a direção da força. Com base nessa característica, Cutkosky dotou seu robô de dedos com sete segmentos, os quais aderem e se soltam tal como os dedos da lagartixa.
Depois ele ficaria sabendo, graças a um artigo sobre a anatomia da lagartixa, que ela possui tendões ramificados que distribuem o peso de maneira uniforme por toda a superfície dos dedos. Eureca! "Quando vi aquilo, pensei, uau, isso é fantástico!" Em seguida, incorporou um "tendão" de tecido de poliéster nos membros do robô com o objetivo de distribuir melhor sua carga. Hoje, o Stickybot consegue se deslocar por superfícies verticais de vidro, plástico e lajotas de cerâmica esmaltada, embora ainda falte muito para ele fazer tudo o que faz uma lagartixa. Por enquanto, o robô consegue galgar somente superfícies lisas, arrastando-se a meros 4 centímetros por segundo, uma fração da velocidade de seu modelo biológico. O adesivo seco nas patas do Stickybot também não é autolimpante como o do animal e por isso logo fica inutilizado pela sujeira agregada. "Há muitos aspectos da lagartixa que tivemos de deixar de lado", comenta Cutkosky. Mesmo assim, várias aplicações práticas estão prestes a resultar desse trabalho. Para o patrocinador da pesquisa, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o interesse pelo robô está sobretudo na área de vigilância: um autômato capaz de subir pelas paredes de um edifício e lá ficar por horas ou dias poderia fazer o monitoramento de toda uma imensa área. Cutkosky, porém, já vislumbra inúmeros usos civis. "Estou tentando fazer com que os robôs cheguem a lugares em que jamais nos aventuramos", conta-me. "Gostaria de ver o Stickybot fazendo algo prático, seja como brinquedo, seja como ferramenta. Sem dúvida, seria ótimo se acabasse desempenhando algum papel humanitário ou de salvamento..."
Apesar de toda a força do paradigma da biomimética, e de todos os brilhantes pesquisadores que se dedicam a aperfeiçoar a tecnologia, essa busca de inspiração na natureza resultou em uma quantidade modesta de artigos produzidos em escala industrial, dentre os quais apenas um se tornou conhecido de todos o velcro, inventado em 1948 pelo químico suíço George de Mestral, com base no exame dos carrapichos que aderiram ao pêlo de seu cão. Além do laboratório de Cutkosky, cinco outras renomadas equipes de cientistas estão tentando reproduzir a capacidade adesiva das patas da lagartixa, mas até agora nenhuma conseguiu chegar próximo à aderência forte, direcional e autolimpante desses animais. Do mesmo modo, os cientistas ainda precisam recriar, com algum sentido prático, a nanoestrutura que assegura a resistência da concha do abalone, e diversas empresas de biotecnologia, todas dispondo de amplos recursos, acabaram falindo na tentativa de produzir seda artificial similar à da aranha. Por que é assim?
Alguns especialistas em biomimética responsabilizam a área industrial do setor, cujas expectativas de curto prazo no que se refere à conclusão e à lucratividade dos projetos se contrapõem aos períodos necessariamente longos de pesquisa. Outros se queixam da dificuldade de coordenar o trabalho conjunto entre as diversas disciplinas acadêmicas e industriais, algo essencial para se entender as estruturas naturais e reproduzir o que elas fazem. Todavia, o principal motivo para a biomimética não ter ainda alcançado a maturidade é que, do ponto de vista da engenharia, a natureza é excessivamente complexa. A evolução não "projeta" a asa da mosca ou a pata da lagartixa tendo em vista algum objetivo final, como o faria um engenheiro em vez disso, ela faz cegamente uma miríade de experimentos aleatórios, ao longo de milhares de gerações, que resulta em organismos pouco elegantes cujo objetivo é sobreviver o suficiente para produzir a geração seguinte e inaugurar a próxima rodada de experimentos aleatórios. Para tornar tão rígida a concha do abalone, 15 proteínas distintas realizam uma dança coreografada cujo entendimento vem sendo buscado por várias equipes de primeira linha. A força da seda segregada pela aranha não está apenas no coquetel de proteínas que a compõe mas nas misteriosas fiandeiras, em que 600 bicos produzem sete diferentes tipos de seda em configurações extremamente resistentes.
O caráter multifacetado de grande parte dos feitos de engenharia naturais torna difícil o seu entendimento e a sua reprodução. Por enquanto, ainda é impossível reproduzir estruturas nanométricas tão intricadas. A natureza, contudo, as produz sem o menor esforço, molécula por molécula, seguindo a receita de complexidade codificada no DNA. Como diz o engenheiro Mark Cutkosky, "o preço que pagamos pela complexidade no nível de escalas muito pequenas é imensamente mais alto que o pago pela natureza". A despeito disso, a distância que nos separa dos processos naturais vem sendo reduzida aos poucos. Com a ajuda de microscópios eletrônicos ou de varredura de forças, microtomógrafos e supercomputadores, os pesquisadores estão conseguindo avançar na decifração dos segredos nanométricos da natureza e também estão produzindo um conjunto de materiais avançados que os mimetiza de modo cada vez mais acurado.
Mesmo antes de se tornar um setor lucrativo em termos comerciais, a biomimética já é uma poderosa ferramenta adicional ao entendimento da vida. Bob Full, o especialista em locomoção animal de Berkeley, aproveita as novas descobertas na montagem de robôs que correm, escalam e se arrastam as quais, por sua vez, o esclareceram a respeito de algumas regras fundamentais dos movimentos feitos pelos animais. Ele concluiu, por exemplo, que todo animal terrestre, da centopéia ao ser humano, possui a mesma flexibilidade e, ao correr, gera a mesma energia relativa. Kellar Autumn, o especialista em aderência de lagartixa e antigo aluno de Full, costuma pedir emprestado componentes do Stickybot, de Cutkosky, para compará-los com estruturas naturais do lagarto e testar hipóteses biológicas que não podem ser verificadas na lagartixa.
"Não há problema em se aplicar uma pressão de 0,2 newton a um pedaço de adesivo de lagartixa e arrastá-lo em direção distal à velocidade de 1 mícron por segundo", diz Autumn. "Mas obrigue uma lagartixa a fazer o mesmo com sua pata. O que você vai conseguir é apenas uma mordida."
Ainda há estudos em desenvolvimento sobre:
- As características ópticas do brilho metálico e as cores deslumbrantes das aves e besouros;
- Bico do tucano, uma estrutura leve e resistente;
- A seda de aranha, cinco vezes mais forte e bem mais flexível que alguns aços especiais;
- A luz fria quase sem perda de energia produzidos pelos vaga-lumes;
e assim infinitamente...
Os pesquisadores só consideram um projeto de biomimética bem-sucedido quando há a possibilidade de ser aproveitado pelas pessoas. "Não basta descobrir estruturas maravilhosas na natureza", diz engenheiro químico Robert Cohen. "O que me interessa é como podemos transformar tais estruturas em algo útil no mundo real."
Um dos reaproveitamentos mais promissores de projetos naturais é um robô inspirado em organismos vivos que possa ser usado em locais em que os seres humanos costumam ficar ou muito expostos, ou muito entediados, ou correr riscos em demasia.
Revista: NATIONAL GEOGRAPHIC
Edição: ABRIL DE 2008
O DESIGN HOJE, mais do que nunca, precisa se inspirar na Mãe Natureza que por bilhões de anos buscou a perfeição através da evolução.
Os problemas de design estão um pouco por todo o lado, e não apenas na decoração como aparentemente pode parecer. Assim, no DESIGN DE HOJE a necessidade de trabalhar em uma equipe multiprofissional se torna cada vez mais necessária em projetos buscando o desenvolvimento sustentável.
- Camila May
4 de maio de 2008
Exposição: Street Art
Uma ótima observação de um dos curadores, Fábio Magalhães, foi em relação a lei “Cidade Limpa”, onde ele diz: “Com a ausência da publicidade restou apenas o graffiti como expressão imagética, nas praças, nas ruas, nas empenas de edifícios, nas pontes e viadutos”. Podemos realmente notar isso, além de que aqui (São Paulo) ser a cidade mais grafitada do mundo.

Obra: Escarro, 2007
Nessa obra, ele utilizou materiais interessantes, numa colagem de balas de arma de fogo e bitucas de cigarro, pena que na imagem não dê para vocês verem direito...

Obra: Triste attualità (Triste atualidade), 2007
Muito boa essa tela!! Não precisa nem de palavras, a imagem já diz tudo.
Todas as obras eram ótima, vou deixar o link do MAC caso vocês queiram dar uma olhada! http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/exposicoes/streetart/online.asp
Finalizando...
Design Hoje é a criação envolvendo toda a sociedade e sua atual situação, através das imagens é possível atingir todo o mundo atravessando a fronteira lingüística, é fazer daquele que as vê sentir e ter consciência, fazer refletir!
Boa noite pessoal!!
Érika.
25 de abril de 2008
Quando design e função não se harmonizam

Calçado da moda no Brasil, o modelo "croc" (aquela sandália feita de borracha e com fendas para ventilação) é motivo de polêmica nos Estados Unidos. Nas últimas semanas surgiram diversos relatos de crianças que se acidentaram ao utilizar o calçado, principalmente em escadas rolantes. No maior sistema de metro dos EUA – o metrô de Washington – já foram até colocados anúncios alertando os usuários sobre o uso desse tipo de calçado nas escadas rolantes. Os cartazes mostram a foto de um crocodilo, mas não mencionam o modelo "croc" diretamente. De acordo com os relatos que apareceram nos Estados Unidos e até em Cingapura e no Japão, os acidentes com pé preso acontecem devido a dois dos principais atrativos para a compra do produto: flexibilidade e aderência. Algumas pessoas afirmam que o calçado fica preso nos “dentes” no fundo ou na parte superior da escada rolante, ou mesmo na fenda entre os degraus ou na lateral das escadas rolantes.
A Crocs, empresa sediada no Colorado e responsável pelo produto original (hoje o calçado é feito também por imitadores, mas foi esse produto que deu o nome genérico ao calçado), afirmou que a empresa não mantém um registro dos motivos dos chamados ao serviço ao consumidor. Mas a companhia afirma estar ciente de “alguns poucos” problemas envolvendo acidentes ligados aos calçados, que são feitos de resina sintética macia. “Por sorte, acidentes em escada rolante como o de Virginia são raros”, disse a empresa num comunicado. A empresa se refere ao caso de Rory McDermott, um garoto de quatro anos que prendeu seu pé no mês passado. Naquela momento ele calçava um Croc numa escada rolante num shopping Center no norte da Virginia. Sua mãe conseguiu libertá-lo, mas a unha do seu dedão foi quase completamente arrancada, causando sangramento intenso. No começo, a mãe de Rory não tinha idéia do que poderia ter causado o acidente. Só mais tarde alguém no hospital comentou algo sobre o calçado de seu filho. Então ela começou a suspeitar dos Crocs e fez uma pesquisa na internet. “Cheguei em casa e escrevi num buscador na internet as palavras Croc e escada rolante e começaram a aparecer várias histórias parecidas”, disse Jodi McDermott, de Vienna, Vancouver. “Se eu soubesse disso antes, meu filho nunca teria usado esse calçado." Todos os relatos de ferimentos graves envolviam crianças pequenas.
Japão
No Japão o governo alertou os consumidores na semana passada de que já recebeu 39 relatos de sandálias – em sua maioria Crocs ou similares – ficando presas em escadas rolantes do fim de agosto ao início de setembro. A maioria desses relatos parece envolver crianças pequenas, algumas de até dois anos de idade. Kazuo Motoya, do Instituto de Tecnologia e Avaliação do Japão, disse que as crianças estão mais sujeitas a acidentes com escadas rolantes, em parte porque elas ficam “pulando quando estão de pé na escada rolante, em vez de ficar atentas ao lugar em que seus pés estão”.
Cingapura
Em Cingapura, uma menina de 2 anos de idade usando tamancos de borracha – a marca não foi identificada – teve seu dedão completamente arrancado num acidente com escada rolante no ano passado, de acordo com relatos da mídia local. Estados Unidos E no aeroporto de Atlanta um menino de 3 anos usando Crocs sofreu um corte fundo na parte superior de seus dedos em junho. Esse foi um dos sete casos de calçado preso em aeroportos desde o dia primeiro de maio e cinco deles envolviam Crocs, segundo Roy Springer, gerente de operações da empresa que administra o terminal. Uma loja norte-americana que atende ao público infantil, a subsidiária da Mattel chamada "American Girl", colocou cartazes em três locais diferentes dando instruções para que os clientes calçando Crocs ou sandálias semelhantes usem os elevadores em vez das escadas rolantes. No maior sistema de metro dos EUA – o metrô de Washington – já foram até colocados anúncios alertando os usuários sobre o uso desse tipo de calçado nas escadas rolantes. Os cartazes mostram a foto de um crocodilo, mas não mencionam o modelo "croc" diretamente. De acordo com os relatos que apareceram nos Estados Unidos e até em Cingapura e no Japão, os acidentes com pé preso acontecem devido a dois dos principais atrativos para a compra do produto: flexibilidade e aderência. Algumas pessoas afirmam que o calçado fica preso nos “dentes” no fundo ou na parte superior da escada rolante, ou mesmo na fenda entre os degraus ou na lateral das escadas rolantes.
Fonte: Globo Notícias
A matéria acima, veiculadas em vários jornais, chama a atenção para o debate sobre design e função. Design é fundamentalmente função ou simplesmente estilo?
As sandálias “Croc” foram originalmente desenhadas para serem usadas em barcos, onde o piso é escorregadio. No entanto seu uso virou uma febre e se tornou generalizado em todo o mundo, sendo inclusive muito copiadas.
Muitas vezes o design de um objeto tem como finalidade dar-lhe uma aparência sofisticada e conquistar o consumidor, sua qualidade ou seu uso adequado no entanto não condizem com a realidade. Eu particularmente concordo que nem sempre a função determina a forma, pois a identidade do objeto fica limitada. No entanto deve haver uma “honestidade” com relação ao estilo e a funcionalidade de um objeto. O consumidor, leigo, vê apenas o estilo do objeto; quando acidentes como este envolvendo as sandális “Croc” acontecem, ficam evidentes falhas no projeto do produto, trazendo descrédito para o design. É necessário atingir maturidade para aliar, de forma honesta, função e estilo.
20 de abril de 2008
Reflexão das Entrevistas
produziram respostas muito interessantes. Enquanto o Sylvio e o Heitor voltaram mais para o design como algo socialmente responsável, o Estevam direcionou suas respostas para a sustentabilidade do designer.
Destaco a resposta que cada um deu para o que mais incomoda cada designer sobre o design de hoje (questão 4):
Heitor: a confusão de o que é Design, como qualquer obra de arte é confudido como "design"
Sylvio: a inovação somente para aumentar a escravidão do homem ao objeto
Estevam: a concorrência dos designers amadores.
Também acho interessante dos porquês cada um escolheu ser designers. Todos disseram que sempre amaram desenhar e criar. Então a profissão acabou sendo apenas uma conseqüência.
Todos também concordaram que o design está passando por mudanças muitas rápidas hoje.
Sinto que o design de hoje, por estar passando por mudanças, é díficil de definir com palavras exatas. Mas acho que está havendo uma maior conscientização dos designers sobre as suas funções sociais.
-Emerson Tanaka
Entrevista com Designer: Estevam Abe
Empresa: designea
Cargo: Sócio, professor da ESPM
Formação: FAU (USP)
Nesta última sexta-feira (18/04/08) tive outra oportunidade para entrevistar um designer, Estevam Abe. Ele é sócio de um escritório novo de design, chamado designea.Também é professor da ESPM. Anteriormente ele era chefe de equipe na Futurebrand BC&H.
Na entrevista, também foram produzidas várias respostas interesantes. Como homem de negócios, ele apresentou um outro lado imporante para o design: a sustentabilidade do design como profissão.
Q3: Quais são as qualidades essenciais para um bom designer?
Ele desenvolveu um tripé para a composição do bom designer:
1. o profissional tem que ser responsável com suas obrigações e ter alguma aptidão para o lado adiministrativo do design.
2. ser criativo. Essa criatividade pode ser adiquirida ao longo do tempo através da observação do mundo a volta.
3. ter um bom senso estético para saber o que está sendo produzido realmente será bom e bonito.
Q4: Comparando as diferenças do design de hoje e de alguns anos e até umas décadas atrás, que mudanças positivas e negativas ocorreram nessa área?
O Estevam destacou de como o trabalho do designer, em empresas, deixou de ser artesanal graças aos computadores. Mas também destacou o lado dessa mudança: grande parte dos designers pulam a parte do esboço no papel, que possibilitaria mais idéias boas serem produzidas. Ele também destacou de como o designer é muito mais reconhecido como profissional.
Q5: O que mais lhe agrada e incomoda sobre o design de hoje?
O que mais o incomoda é a como algumas pessoas aprendem como manuzear um programa gráfico e se entitulam "designers" e assim, degridem a imagem do designer e também gera concorrência com os escritórios sérios, apesar das diferenças na qualidade serem berrantes.
Q6: Qual sua expectativa sobre o design de amanhã?
Ele espera que o reconhecimento do designer continue a aumentar cada vez mais e que as empresas valorizem cada vez mais o seu "capital humano" ao invés dos computadores.
reflexão:
Achei interessante ele apontar para o lado da sustentabilidade do design como profissão. De como o design estar passando por uma mudança muito rápida (também mencionada pelo Heitor e o Sylvio). E os designers serem cada vez mais reconhecidos e participarem cada vez mais no planejamento das empresas.
-Emerson Tanaka
Entrevista com Designer: Sylvio de Ulhôa Cintra
Empresa: Ulhôa Cintra
Cargo: Sócio, professor da USP
Formação: FAU (USP)
Na sexta-feira do dia 11 de abril tive a oportunidade de entrevistar o professor de design na USP, Sylvio de Ulhôa Cintra Filho.
Ele optou por responder as perguntas de forma mais livre. Ligando umas com as outras.
Entre suas respostas interessantes, destaco:
O prof. Sylvio disse que o design tem um compromisso com a ética e a estética de como o homem utiliza o espaço para transmitir suas idéias.
Antigamente, o design era muito ligado à inovação e ao artesanato e à industrialização brasileira. Hoje, existe uma mudança em direção à conscientização do consumo e à ecologia, gerando, assim, a auto-sustentabilidade.
Para ele, o que mais o incomoda com o design é a "inovação desnecessária, dispensável" que seria a "escravização do homem" ao objeto. Disse que se deve evitar a "novidade pelo consumo" mas buscar inovação para melhorar a forma de como o homem se relaciona como o seu meio.
Reflexão:
Eu achei muito interessante quando ele disse que hoje há muita "inovação desnecessária", voltado somente às vendas porque, além do Heitor também ter mencionado isso, existe sim um fundamento muito sólido. Em muitos projetos atuais vêmos somente a preocupação de vender ao invés de ser para a melhoria no relacionamento do homem com o seu meio.
-Emerson Tanaka
5 de abril de 2008
Entrevista com Designer: Heitor Siqueira
Empresa: FutureBrand BC&H
Cargo: Designer Sênior
Formação: Desenho Industrial (Mackenzie)
Nesta sexta-feira (dia 4/4/08) tive a ótima oportunidade de entrevistar Heitor Siqueira. Usei o questionário padrão desenvolvido pelo meu grupo:
Q1. Por qual motivo você escolheu a profissão de designer?
Q2. Ao longo da sua formação você chegou a refletir sobre o lugar do design dentro da sociedade? e hoje, você ainda reflete sobre isso?
Q3. Quais são as qualidades essenciais para um bom designer?
Q4. Comparando as diferenças do design de hoje e de alguns anos e até umas décadas atrás, que mudanças positivas e negativas ocorreram nessa área?
Q5. O que mais lhe agrada e incomoda sobre o desgin de hoje?
Q6. Qual sua expectativa sobre o design de amanhã?
Q7. Para você, o que é o design hoje?
É muito dificil apontar só uma boa resposta, por isso optei por sintetizar as principais:
Q2: Ele mencionou o manifesto de "First Things First", o mesmo que o professor pediu para que ler, que o ajudou no T.G.I em que ele descutiu o papel do designer gráfico na sociedade. E no começo da carreira, ele desenvolveu um projeto que ajudava cegos preencherem cheques. Ele citou duas coisas que vale a pena nós pesquisarmos mais a fundo: um escritório canadense "Work Worth Doing" e os trabalhos do Bruce Mau que têm como fundamento projetos com responsabilidades sociais.
Q3: Ele determinou que para ser um bom designer, precisamos saber sobre conceituação do mundo atual e também ser mais que designer, por exemplo, ter características administrativas.
Q6: Ele tem a esperança de que no futuro trabalhos como o do Bruce Mau e de escritórios como o "Work Worth Doing" sejam mais freqüente e que, no aspecto mercadológico, haja maior participação de designer como um consultor de comunicação.
Q7: Para ele, o Design é muito focado no aspecto mercadológico em que empresas investem muito por que sabem o retorno do valor investido. Ele também destaca que os designers já são reconhecidos por seu estilo diferente de pensar.
Felizmente, pude filmar a entrevista, produzindo respostas mais esponâneas e muito mais interessantes. Não acho interessante postar os vídeos aqui por questão de privacidade do entrevistado e do tamanho dos arquivos. Mas caso algum grupo deseje ter acesso às gravações, peça a mim e eu pedirei permissão para o Heitor.
Reflexão:
Achei a entrevista muito interessante pois provou que os designers não "só desenham", eles têm consciência das suas responsabilidades sociais. O bom designer pensa além do processo de elaboração do projeto; eles sabem como esse projeto afetará e como pode ser benéfica para a sociedade, por exemplo o projeto para cegos que o entrevistado elaborou.
Baseado nas respostas do Heitor, tenho a impressão de que o design de hoje está passando por um processo de transformação em que a consciência tanto ambiental quanto social está cada vez mais determinante/influente nos projetos.
-Emerson Tanaka
4 de abril de 2008
Andamento da Pesquisa: Visita ao Instituto Tomie Ohtake
No dia 23/03 fui à exposição “Todos os Olhares” do fotógrafo Cristiano Mascararo realizada no Instituto Tomie Ohtake. Antes de mais nada, gostaria de falar sobre a reflexão que tive enquanto aproximava-me deste prédio monumental que é o Instituto Tomie Ohtake.
Passando pela avenida Faria Lima, é inevitável ficar boquiaberta quando fica de cara a cara com esta construção “cobra coral rosa choque”. Como qualquer outra obra do arquiteto Ruy Ohtake (filho da Tomie), o mesmo que fez o projeto do Hotel Unique (famoso “hotel melancia”), o prédio em si, sem dúvida, é uma arte a ser contemplada. Porém já a alguns anos que os moradores da região manifestam o desconforto causado pelo reflexo da parede rosa deste instituto. E então penso: qual é a função social de um arquiteto?
Esta reflexão serve tanto para um designer quanto para qualquer outro profissional. Acredito que estamos vivendo na era em que o bem estar social e o desenvolvimento sustentável deva prevalece acima de tudo e qualquer luxo ou arte. Assim creio que DESIGN HOJE é a transformação sustentável da natureza conforme a necessidade humana.
Desta forma, essa visita foi bem produtiva mesmo antes de eu colocar os meus pés no Instituto Tomie Ohtake.
Desenho em grafite em frente ao Instituto Tomie Ohtake. Cria um espaço onde não há espaço. Uma solução para limitado planeta Terra que agrega uma população que não para de crescer.
Agora vamos falar da exposição do Cristiano Mascaro.
Eu sempre gostei muito de fotografia, gosto de saber como as pessoas enxergam o mundo, captam o momento e transmitem informações. Tenho inveja de pessoas que conseguem ter olhar diferenciado. E é incrível como este fotógrafo enxerga o mundo, as coisas e as pessoas. Através da lente dele o minhocão, aquele lugar caótico e feio, é retratado como uma composição artística entre céu, cidade e asfalto.
São lugares que você teoricamente conhece, mas não reconhece porque o pequeno parece gigante e o grande parece miniatura. Não vou descrever sobre todas as fotos, mesmo porque é impossível, tem coisas que são incompreensíveis ao meu olhar também. (vou postar algumas fotos da exposição que achei na internet, mas infelizmente não achei a imagem do Minhocão...)
O que eu tenho percebido nessas visitas ao museu e exposições é que eu preciso ter mais contato com arte, imagens, músicas e tudo o que estimula o nosso sentidos. Gosto é algo que se adquire e precisamos aprender a observar, olhar, sentir e compreender sobre todo o que está ao nosso redor. Como futuros designer precisamos saber materializar nossas idéias, pesquisar e conhecer um pouco de tudo que já foi transformado e produzido pelo homem e inovar. Acredito que DESIGN HOJE precisa mais do que nunca olhar para o passado, sentir o presente e projetar o futuro.
- Camila May
Entrevista com Designer: Thiago Honório
http://www.thiagohonorio.com/
Q1. Por qual motivo você escolheu a profissão de designer?
Eu acho que fui escolhido, eu comecei a trabalhar como "web designer" muito jovem, com 15 anos. Na primeira empresa onde trabalhei fui aconselhado a fazer um curso de desenho e redescobri uma paixão, comecei a estudar e vi que precisava ir além do traço, que precisava de teoria pra chegar a uma direção de arte.
Q2. Ao longo da sua formação você chegou a refletir sobre o lugar do design dentro da sociedade? E hoje, você ainda reflete sobre isso?
Ah sim, claro. Durante o curso técnico de Design Gráfico fui apresentado ao grande leque de aplicações do design nessa área e nos 2 primeiros anos da faculdade tive contato com alguns processos do design de produto. Design está em tudo é a conclusão que eu chego toda vez que reflito sobre o assunto.
Q3. Quais são as qualidades essenciais para um bom designer?
Curiosidade e prática. Praticar design é uma tarefa dificil, estar a par das novas técnicas, tecnologias e necessidades do mercado e estar pronto para atendê-las é resultado dessas duas qualidades do meu ponto de vista.
Q4. Comparando as diferenças do design de hoje com os de apenas alguns anos e até de algumas décadas atrás, que mudanças positivas e negativas ocorreram nessa área?
Bom, eu não tenho décadas no mercado ainda, mas posso falar pelo que estudei. Acho que as principais mudanças se deram no suporte, no desenvolvimento da tecnologia. Tanto para o mercado gráfico quanto para o de produto. Impressões mais rápidas, materiais mais resistentes e que atendem a novas necessidades por exemplo. Negativo talvez seja a facilidade e banalização de "ser designer" e a falta de tato, de trabalho manual.
Q5. O que mais lhe incomoda e mais agrada no design atual?
No mercado de design? Eu acho que me incomoda essa banalização que citei e me agrada ver o crescimento do mercado, novas possíbilidades para os profissionais da área.
Q6. Qual a sua expectativa para o design de amanhã?
Eu acho que as tecnologias vão ditar novos padrões e o "traço" vai ser um diferencial. O mercado de luxo tem crescido muito e acho que esse é um espaço para o designer com um perfil mais "artístico" mas acho que a grande maioria deve se ater as novidades do mercado. Na minha área, internet, mesmo os que tem o perfil artista deve estar atento a tecnologia, inclusive o que não diz respeito a design. É como um designer de automóveis, que deve - na minha opinião - entender de todo o processo de fabricação, de mecanica, de materiais etc.
Q7. Para você, o que é design hoje?
É engraçado pensar na amplitude como o termo vem sendo usado. Não é raro encontrar "Hair Designers" pelas ruas, mas esses são designer que eu não acredito.Para dizer designer em espanhol usa-se desiñador, em inglês design é usado muitas vezes como projeto. Pra mim design é(espero que hoje, como ontem e amanhã) projeto, como você desenha toda uma expectativa em cima de um produto. Como você projeta essa expectativa e transforma em cores, formas, conforto, adequação etc.
Valdecir Xavier
28 de março de 2008
Análise bibliográfica: Design for the real World
Os três capítulos que julguei ser mais interessantes foram:
What is design? - a definition of the function complex.
Phylogenocide - a History of the Industrial Design profession
Our Kleenex Culuture - Obsolescence and Value
Esse último achei o mais interessante pois ele aponta mais na direção da função social do designer.
As minhas anotações estarão disponíveis. Estou tentando descobrir como funciona o google docs pra poder compartilhar como todos mas por enquanto é só pedir por e-mail.
emersontanaka@gmail.com
Achei o livro muito interessante como início da nossa pesquisa bibliográfica pois tenta definir design, nos dá um resumo sobre a profissão de designer e aponta as responsabilidades sociais do designer.
-Emerson Tanaka
22 de março de 2008
Andamento de pesquisa: Visita ao MASP

( Ressurreição de Cristo - Raffaello Sanzio )

( O Banho de Diana - François Clouet do site do MASP )
Também nessa exposição haviam pinturas de Cândido Torquato Portinari onde era exposto pinturas da série retirantes. A técnica usada é bem diferente aos quadros q mostrei nas imagens acima. Não existe aquela busca pelo perfeito e o principal tema desse quadro é "a natureza das coisas". Esse foi o que me chamou mais a atenção.

(Criança morta - Cândido Torquato Portinari, 1944)
"Coleção Itaú" exposição voltado para o Moderno. Achei bem interessante principalmente na hora de comparar a arte usada nos anos de 1500 e a arte conhecida como moderna onde fazem uso de representações mais "estilizadas" para mostrar as formas e o uso da abstração.

( O Impossível - Maria Martins )
Gostei muito de algumas imagens onde usa a técnica conhecida como xilogravura
( Vila Operária - Lívio Abramo )
Também acabei conhecendo diversar outras técnicas de arte que nunca ouvi falar ou que nunca pensaria em fazer algo parecido, como por exemplo, o estilo de Geraldo de Barros onde ele usa fotografia, ponta-seca e nanquim sobre negativo.
(Sem Título - Geraldo de Barros)
Muitos quadros me chamaram atenção como por exemplo "Bailarinas" de Samson Flexor. Uma das coisas que me perguntei enquanto olhava o quadro..."Quantas bailarinas tem aí?". Bem eu fiquei em dúvida entre 8 e 9. Alguém dá mais?

(Bailarinas - Samson Flexor)
"O Convívio social nos olhos de Tatsumi Orimoto" foi uma exposição bem divertida. A maneira como esse fotógrafo vê o mundo e como representa através das fotos me deixou bem espantada. Passei a ser fã do senhor "Homem-Pão" e da mãe de Tatsumi. A grande maioria das fotos q estavam na exposição, no primeiro olhar, achei algo um tanto ..."cômico". Mas em suas fotos com sua mãe (da qual é vítima de Alzheimer e depressão) em situações de se estranhar discute-se um assunto importante que é a exclusão social. A seguir algumas fotos de Tatsumi.
Acredito que com essas exposições podemos ter uma pequena noção do que o Design pode se tornar no futuro. Acredito a arte em geral pode estar seguindo no caminho do mais "diferente" o possível. Pois o mais diferente chama mais a atenção e de uma certa forma se destaca deixando os observadores interessados. E como design também é arte, talvez estejamos seguindo esse mesmo rumo.(Claro!É só uma teoria)
Bem...É isso!
Vale a pena conferir as exposições do MASP!
-Julie Sakai
21 de março de 2008
Andamento da Pesquisa - Exposições dia 16 de março

ótima oportunidade de conhecer mais profundamente a obra do pintor, desenhista, gravurista e escultor lituano, naturalizado brasileiro.
Segall ficou mais conhecido pelo período expressionista, porém a obra reune cerca de 150 obras do período em que o artista se afasta do expressionismo buscando uma obra mas "clássica e atemporal". Sua obra sofre grande influência do Brasil, no período de 1920 a 1940 suas cores são mais puras e vivas, Segall pintava retratos de amigos e anônimos; estes , na sua maioria eram negros, como na obra Bananal. Segall buscava uma arte genuinamente brasileira. A presença de um artista europeu de vanguarda no Brasil foi muinto importante pra o moviento modernista.
A obra que masi me chamou atenção foi Morro Vermelho. O quadro mostra uma mulata segurando o filho nos braços, como uma "virgem e o menino". Há uma profundidade no quadro, Segall trabalha com a perspectiva, seprando o primeiro plano do fundo; se opondo as composições expressionistas de vanguarda, onde primeiro e segundo plano não se separam. Assim Segall trabalha uma obra mais realista. Pude notar também certa influência do cubismo. Havia um quadro onde as figuras me lembraram máscaras africanas, como nas obras de Picasso.
Sem dúvida um grande e importante artista, saí da exposição muinto satisfeito.
César Romero
Citon Genaro
Sérgio Lucena

15 de março de 2008
Andamento de pesquisa: visita à exposição "design a mesa"
Acho importante apenas destacar/observar como o design de cada mesa atendia as necessidades de cada povo e como os materiais usados depende da disponibilidade dos mesmos (ex.: Na mesa japonesa não havia pano de mesa, concluo que seja porque não haja muito terreno disponível para a plantação de algodão).
Porque não tinha nimguém por perto para pedir permissão no início, tirei fotos com o meu celular (1,3 mp) pois era o único meio disponível. Depois de eu ter tirado duas fotos de cada mesa, a coordenadora da gastronomia chegou e avisou que não poderia tirar mais fotos. Muito simpática, ela permitiu que eu ficasse com as fotos que já tinha tirado por serem de baixa resolução. Ousei perguntar se poderia usar as fotos na minha apresentação e ela disse que teria que fazer uma série de burocracia para obter a permissão. Acho que não vale a pena.
Anexado estão as tais fotos.
Obs.: realmente, não serão usados no seminário. Serão utilizados apenas para o restante do grupo ter uma idéia de o que era a exposição.

Shabat Judaico

Taillevent

Marrocos

México

India

Japão

Império Romano

Grécia

França (século XVII a XIX)

Brasil
-Emerson M. Tanaka






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